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A HISTÓRIA DO MEU CÃOZINHO E A HISTÓRIA DE UM CÃO MUITO MAIOR

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Precisamos Colocar o Estado Para Funcionar. E Rapidamente...

Há uma claríssima assimetria de racionalidade. As razões do ladrão o Estado desconhece. As razões do Estado o ladrão conhece.

Você já ouviu de algum parente ou amigo de seu pai a máxima que, no Brasil, nada funciona? O cara começa com Pedro Álvares Cabral, rema todo o império, a república, a ditadura, a nova república e, finalmente, cai de boca no assunto mais recente, a corrupção sem freios. Sempre a repetir, em cada período, as evidências ou os fatos que comprovam nossa tendência disfuncional. 

 

Entender esses insucessos no seio de uma sociedade caótica não é nada complicado. Afinal de contas, a riqueza é escassa e estão todos, milhões, interessados nela. 

 

Mas quando o Estado, esta entidade masculina, republicana e imperial ao mesmo tempo, que pode dispor sobre a propriedade e a vida de todos, sob a ordem da legalidade e da racionalidade, resolve igualmente ser disfuncional, não bagunça o coreto de qualquer praça pública e o ritmo de qualquer escola de samba? 

 

O Estado fazendo compras é uma piada sem graça. Sua sacola leva apenas um pé e uma meia, o brinco de uma das orelhas, a lente do olho esquerdo, o biquíni sem sutiã. 

 

Em compras mais complexas, não é difícil encontrar o Estado empurrando uma roda de automóvel, escolhendo entre ponte e rampa de acesso, levando uma porta e uma janela nos ombros. 

 

Explico: em qualquer país desenvolvido, ao comprar um objeto o administrador público verifica sua funcionalidade, ou seja, se ele serve para alguma coisa. Esse teste, infelizmente, não acontece por aqui. Penduramos o objeto que queremos adquirir em várias compras. A culpa é da própria Lei de Licitações ou das interpretações que se dá a ela. 

 

No afã de economizar e obter ‘vantagem de escala’, os objetos que adquirimos em nossas licitações são incompletos. Compramos sucrilhos sem leite, móveis sem casa, pontes sem rampa. Compramos quantidades de cimento, ferro e areia sem a segurança de que aquilo acaba em laje. E não adianta reclamar: o que está em contrato não é a laje, mas os sacos disso, as barras daquilo, os metros cúbicos de qualquer coisa. A ‘vantagem de escala’ deixa a laje no chão. 

 

Então, se estiver passando por uma obra inacabada, não se deleite enxergando apenas o ladrão que, não por acaso, também está lá. No fundo do espelho, soberba, está a racionalidade do Estado. 

 

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