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A HISTÓRIA DO MEU CÃOZINHO E A HISTÓRIA DE UM CÃO MUITO MAIOR

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Futebol Brasileiro: Como Eliminar uma Federação de Problemas?

Vamos vestir aqueles menininhos europeus com as camisas dos grandes clubes da América. A camisa do Flamengo vai vender mais que a do Bayer na Alemanha, a do Corinthians mais que a do Real em Madrid e a do Boca mais que a do Milan na Itália. Reinaremos nós.

 

 

Com certeza, você domina o conceito de federação. Se não dominar, paciência, também não é lá uma grande questão. Problema real, o brasileiro só tem se não conhecer nada de futebol. Aí, o cara está massacrado.

 

Nosso futebol é organizado em um modelo federativo. Lógico que isso não justifica a zona que é. Vários países se organizam em modelo federativo e não me consta que estejam mal das pernas. Canadá, Estados Unidos e Alemanha têm resolvido seus problemas econômicos. Sem querer recordar, a Alemanha tem resolvido inclusive seus problemas futebolísticos. Mas nem toda federação é bem sucedida.

 

A base da nossa organização futebolística são os clubes. O topo da pirâmide é a CBF e, na posição intermediária, ficam as federações estaduais. Uma falsa ‘justiça federativa’ dá as ordens e comanda o futebol. Para eleger a direção das federações, cada clube tem direito a um voto e, para a CBF, cada federação tem direito a um voto. Internacionalmente, todas as confederações, como a CBF, têm direitos iguais na eleição da FIFA.

 

Na eleição da federação carioca de futebol, o Flamengo põe um voto na urna e o Olaria outro. O Fluminense empata com o Macaé, o Botafogo com o Friburguense e o Vasco com o São Cristóvão. Nem sei se o Ameriquinha tem direito a voto, mas, se tiver, empata com a Cabofriense. Cria-se um clube e dá-lhe o direito de voto, se a máfia entender que há riscos à sua perpetuação no poder. Para eleição da CBF, a federação paulista põe um voto na urna e a do Amapá outro. Para a eleição da Fifa, o Brasil tem direito a um voto e Honduras outro. A filiação recente de vários países, sem prática de futebol, aos quadros da FIFA, apenas comprova que o modelo é internacionalmente dirigido. Esses votinhos que se tornam grandes têm servido ao encastelamento de máfias no futebol em todos os cantos do mundo. Elas atuam na definição de sedes para os campeonatos, na escolha dos juízes, na validação de estádios precários, na partilha das rendas e nos regulamentos de todos os torneios.

 

Com os votos do Madureira, Nova Iguaçu, Boavista, Bangu, Resende e Volta Redonda, o futebol carioca se rende à força dos pequenos. Está aí algo de difícil contraposição, mas esse belo roteiro acaba em tragicomédia, quando não em tragédia. Os campeonatos estaduais não têm público, os juízes fazem lambança a torto e a direito, os direitos de televisão são aviltados, os estádios não têm qualidade e se negocia até a segurança dos torcedores.

 

O Flamengo já jogou para 2.000 torcedores e o Botafogo para 500 no campeonato carioca. Enquanto Flamengo e Botafogo brincam no torneio local, o Barcelona enfrenta o PSG, o Real joga contra o Atlético de Madrid, o Chelsea encara o Arsenal. Nossos torcedores mirins, cansados de esperar por grandes jogos, já saem de casa com camisas de clubes estrangeiros. Praticamente, iniciamos nosso futebol em maio. Os clubes, sem receita, vendem seus melhores jogadores para os clubes europeus e, mais recentemente, até para a China. Dezenas de nossas estrelas abrilhantam os estádios de países mais pobres que o Brasil.

 

Os clubes pequenos são igualmente vítimas do modelo. Não são eles os maiores beneficiários. Mafiosos que lhes entregam pequenos favores atacam seus votos e se credenciam à locupletação geral.

 

Mas os clubes pequenos não devem ser favorecidos para permitir certo equilíbrio ao futebol? Não são eles a base do futebol nacional, a porta de entrada de muitos jogadores que, depois, tornam-se ídolos nos grandes clubes, inclusive na seleção brasileira? Os pequenos clubes não nos apresentaram Domingos da Guia, Zizinho e Ronaldo?

 

Sim, e qualquer modelo deve garantir condições favorecidas de sobrevivência e crescimento para os pequenos clubes, mas não pode matar os grandes. Campeonatos específicos regionais e nacionais financiados pelas rendas das federações, auferidas em torneios lucrativos, receberão os pequenos. Os grandes torneios terão as regras normais de acesso, como já ocorre hoje.

 

Sem desconsiderar os pequenos clubes, até o mundo mineral reconhece que a força do futebol nacional depende dos grandes clubes e de suas imensas torcidas. Qualquer modelo que os prejudique vai matar o próprio futebol brasileiro.

 

Como temos 12 grandes clubes, só uma liga dos grandes da América do Sul, em um primeiro momento e, depois, dos grandes de toda a América, financiará justamente nosso futebol. Os grandes clubes do Brasil, da Argentina e do Uruguai devem jogar entre si todo ano, em um torneio que substitua nossos campeonatos estaduais e torneios equivalentes de nossos irmãos sul-americanos. A rivalidade entre Flamengo e Boca Juniors, Cruzeiro e River Plate, Corinthians e Nacional do Uruguai, Grêmio e Independientes, será reforçada por estatísticas, estádios cheios e trocas de jogadores. A Copa Libertadores virá de lambuja.

 

Vamos vestir aqueles menininhos europeus com camisas do Santos, do Botafogo, do Flamengo, do Internacional, do River e de todos os grandes clubes da América. No mundo do futebol, definitivamente, reinaremos nós.

 

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