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Febre Amarela e a gestão pública em São Paulo

30/01/2018

A insuficiência de vacinas a despeito dos abundantes sinais de que elas seriam necessárias aponta claros equívocos de planejamento e gestão.

Enquanto o país se preparava para o julgamento que confirmou a condenação do ex-presidente Lula em 2° instância, a febre amarela avançava. O número de casos suspeitos e confirmados, assim como o de óbitos, crescia, e se multiplicavam os relatos de corridas e longas filas em postos de vacinação, frequentemente frustradas em razão da exaustão dos estoques. 

 

Longe de ser um problema nacional, até agora o atual surto se concentra fortemente no Sudeste, em particular no estado de São Paulo, que responde por quase 50% dos casos e 40% dos óbitos. Isso contrasta fortemente com o passado, inclusive o recente: no surto de 2017, São Paulo registrou menos de 3% dos casos e de 4% dos óbitos*. A forte expansão da doença no estado tem chamado especialmente a atenção.

 

Havia, entretanto, claros indícios de que isso poderia ocorrer. Não apenas porque o maior surto da série histórica no país havia ocorrido no ano anterior, e o maior número de casos havia sido registrado em um estado limítrofe, Minas Gerais, mas também porque no segundo semestre de 2017 o número de mortes de macacos, também afetados pela doença e cuja mortandade prenuncia a contaminação em humanos, foi muito superior ao registrado no ano anterior e se difundiu largamente, inclusive em áreas muito próximas às cidades paulistas ou mesmo em parques em seu interior.

 

A despeito destes indícios, o governo não só não conseguiu deter o avanço da doença, como tampouco se preparou adequadamente para ele. Em particular, ao contrário do que seria indicado, deixou de constituir, em coordenação com o Ministério da Saúde, estoques adequados da vacina, que há décadas é produzida em larga escala no Brasil. A insuficiência de vacinas a despeito dos abundantes sinais de que elas seriam necessárias aponta claros equívocos de planejamento e gestão por parte dos órgãos responsáveis por este sensível assunto.

 

Como tem ocorrido desde que seu grupo político chegou ao poder no estado, o governador Alckmin, gestor “eficiente” e pré-candidato à presidência, até o momento não foi claramente provocado pelos meios de comunicação a explicar as deficiências da resposta do governo paulista à expansão da doença. Esperemos que ninguém precise explicar o eventual desastre que seria a multiplicação das mortes provocadas por uma doença que se encontrava extinta há décadas em áreas urbanas.

 

* Fonte: Ministério da Saúde, Situação Epidemiológica no Brasil.

 

 

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