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A HISTÓRIA DO MEU CÃOZINHO E A HISTÓRIA DE UM CÃO MUITO MAIOR

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Moro Decapitado

Antes de virar santo, Tomás Moro comeu um dobrado com Henrique VIII. Filho de juiz, bom advogado e escritor de uma obra prima que marcou a Renascença e o humanismo, ‘A Utopia’, Moro foi embaixador de grandes causas, principalmente as católicas, e ministro de outros assuntos do reino inglês. Perseguido, humilhado, condenado injustamente, decapitado. Sua cabeça ficou exposta à execração por um longo tempo, para espanto dos mais humildes.

Depois de enfrentar com firmeza acusações de traição e aceitação de suborno, rebater testemunhas, sofrer na prisão, Moro foi decapitado ontem, jurando inocência. Sua cabeça encontra-se pendurada na torre e ficará sob o olhar do povo, por até trinta dias. 

 

A condenação de Moro ocorreu à conta de um processo escandalosamente viciado. Assim que uma denúncia se mostrava frágil, outra se punha no lugar. Assim que uma testemunha era desacreditada, outra aparecia para acusar. Assim que alguém se declarava seu inimigo, logo o colocavam para julgar. 

 

Moro seria suspenso pelo pescoço e seu corpo e pulmões arremessados ao chão, ainda com um pouco de ar. Em seguida, seu corpo passaria por esquartejamento. Depois viriam a decapitação e a exposição pública da cabeça. 

 

Considerando a importância de seu nome para a sociedade, seus relevantes serviços prestados ao Estado, sua defesa comovente do povo mais simples, suas fortes amizades com humanistas conhecidos, o juiz, por clemência, alterou sua pena para uma decapitação comum, seguida de exposição pública da cabeça. O réu, sem cabeça, não se constituiria em qualquer tipo de ameaça ao rei, eximindo-se a pena de maiores crueldades. 

 

Tomás Moro, o seu nome hispânico, caiu por confiar cegamente na justiça dos homens. Tendo nomeado o supremo Henrique VIII como seu protetor e respeitando-o fielmente, jamais imaginou que ele se tornaria seu algoz. Com amigos influentes no reino e na igreja, filho de juiz, advogado, embaixador, chanceler, escritor de utopias extraordinárias, Moro imaginou-se imune e sem risco de injustiça. 

 

Henrique VIII queria escolher uma religião para si, com supremacia sobre o Papa. Era mais que escolher uma rainha. O que se praticava era um jogo bruto, com a morte à espreita. Enquanto Moro sonhava com ‘A Utopia’, Henrique VIII pensava em que fazer com a vida, inclusive a dos outros. 

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